Uma das doenças mais comuns e ao mesmo tempo mais perigosas e inclusive mortais para os nossos cães é a filariose canina, a qual conhece-se também como a doença elefantíase.
Trata-se de um parasita que a poucos meses da infecção chega a desenvolver-se, crescer e alojar-se no coração do nosso cão, podendo causar em muitos casos a morte.
ORIGEM DA FILARIOSE CANINA
A filariose também chama-se dirofilariose e é causada por um verme redondo pertencente à família das Filarias. A doença é causada pela Dirofilaria Immitis.
INFECÇÃO DO ANIMAL
A doença é contraída a partir da picada de um mosquito portador da doença, a qual se contrai de outro animal afectado. É óbvio que as regiões com maior presença de mosquitos têm maiores riscos de padecer da doença, a qual se tornou uma das mais importantes do mundo.
Os mosquitos que a transmitem são os do género Culex, Aedes e Anópheles. Este parasita necessita de dois hóspedes: o cão e o mosquito. Podemos descrever a evolução da doença em 5 etapas:
1ª etapa – Aquisição
Nesta etapa as microfilárias presentes na corrente sanguínea do animal entram no mosquito durante a picada. Permanecem um dia no intestino do mosquito para logo mais tarde alojar-se nos túbulos de Malpighi onde continuarão a desenvolver-se durante a sua etapa larvária.
2ª etapa – Penetração
As larvas agora diminuem o seu tamanho ainda que aumentam a grossura e são transportadas pelo mosquito até ao segundo hóspede que é o cão. Deixaram os túbulos e passaram para a zona bucal do mosquito, o qual ao alimentar-se permitirá que as larvas alcancem a zona subcutânea do cão, onde encontrarão um lugar de descanso para continuar o seu desenvolvimento.
3ª etapa – Expansão
Durante o descanso as larvas já cresceram e agora começam a expandir-se através da corrente sanguínea até ao ventrículo direito do coração, a artéria pulmonar e os vasos próximos. Passaram de 3 a 4 meses agora os parasitas medem mais 30 cm.
4ª etapa - Doença
Chamamos a esta etapa doença já que começar a produzir-se e a notar-se os primeiros sintomas no animal. É uma etapa que tem uma duração variável. No primeiro momento os parasitas adultos começarão a emitir microfilárias no sangue do infectado. Estas novas larvas podem permanecer até dois anos no sangue do cão, enquanto cada mosquito que pica o cão as recolhe para continuar a espalhá-las.
As larvas começarão a crescer e a desenvolver-se produzindo danos nas zonas onde se concentram as maiores quantidades de parasitas.
5ª etapa - Infecção
A quantidade de parasitas adultos agora no coração e noutros órgãos poderá ser de várias exemplares, mas ao reproduzir-se chegaram às centenas, e ao alimentar-se e crescer deixam lesões permanentes em muitos desses órgãos, para além de importantes obstruções nos vasos.
Pode passar de um a vários anos até que se apresentem os sintomas, internamente as lesões deixam sequelas no cão, que ao manifestarem-se torna-se demasiado tarde para trata-las. Normalmente o tratamento consiste em eliminar os parasitas e logo aplicar tratamentos preventivos. Os sintomas a observar nesta etapa relacionam-se na continuação.
- Tonturas e desmaios
- Problemas cardiorrespiratórios
- Cansaço, apatia e inapetência
- Hemorragias nasais
- Tosse ligeira
- Sangramento na boca
Estes sintomas não são exclusivos e pode acontece que o cão os apresente a todos, vários ou nenhum deles. Isto não é um indício da gravidade da doença, apenas alguns sinais dela, a qual pode levar o nosso cão na sua etapa aguda até à morte. Os efeitos que reduzem a qualidade de vida do cão afectado também podem levar à morte do animal devido a danos irreversíveis no coração e vasos importantes do sistema cardiopulmonar.
DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO
Se o teu cão apresentou alguns destes sintomas ou vives em zonas com muita presença de mosquitos onde a doença poderá ser praticamente endémica, deves consultar um veterinário rapidamente para descartar qualquer infecção das filárias.
Normalmente uma análise de sangue basta para detectar o parasita ainda que num terço dos casos os doentes não dispôem microfilárias no sangue. Se forem detectadas também se irá proceder à identificação do género de filárias, já que as que produzem danos no coração são as Dirofilaria Inmitis, sendo um pouco menos preocupante se tratar-se de Repens.
Em caso de não haver presença do parasita no sangue serão necessárias radiografias torácicas, exames com antígenos, angiografias pulmonares, entre outras, individualmente ou combinadas e realizadas por especialistas.
PRESENÇA DA DOENÇA CONFIRMADA
Uma vez confirmada a presença da doença, serão avaliadas as condições físicas do teu cão e o estado em que se encontra a doença. Isto é importante já que se utilizam medicamentos diferentes em cada etapa da filariose. Estes medicamentos são muito fortes e agressivos. Se tratar-se de um animal frágil podem ser perigosos para a sua vida.
Os medicamentos estão destinados primeiro a matar os vermes adultos. Quase sempre começam com uma serie de injecções e logo de seguida administram-se os medicamentos que farão expulsar os parasitas mortos. É importante que neste momento coloques o teu cão debaixo de um repouso estrito para evitar obstruções e outras complicações relacionadas com este processo.
A próxima ronda de medicação será destinada aos vermes mais jovens que se encontram no sangue. Por último será inserido numa dieta e medicação para recuperar as suas condições físicas.
PROGRAMA PREVENTIVO
De nada serviria um tratamento tão custoso e cheio de riscos para o teu cão se não lhe aplicares um programa preventivo. Existem vários medicamentos para prevenir o contágio de filárias, estudos de mercados realizadas a quase 2000 donos indicaram que apenas um quinto deles utilizava medicamentos preventivos no seu animal de estimação.
Trata-se de uma doença grave e que acaba com a vida de muitos cães. O diagnostico e tratamento são bastante custosos pelo que aplicar medicação preventiva é sem dúvida a melhor opção para ti e para o teu animal.